Exposição *LXBAINAITE* de Miguel Dominguez Cunha
*LXBAINAITE* MIGUEL DOMINGEZ CUNHA - 03 JUL - 30 JUL é um trabalho de 2001. Esteve exposto na Galeria Sta. Clara em Coimbra e agora estão aqui na Trem Azul, em Lisboa, no meio de discos e música e entre o Cais do Sodré e o Bairro Alto. Estão em casa portanto. No sítio certo para serem vistos. Miguel Dominguez Cuña
LX Bainaite
uma tentativa de memória descritiva
O ar zumbe, eléctrico. Toca o telemóvel - Tás onde? Vem cá ter… okai, mais logo então. Um tecnophado ecoa nos altifalantes do princípe real. as marchinhas dos santos-populares (populaire saints) tocam sambaphanque, o novo som dos bairros. Nas discotecas de neons-anos-80 ouve-se discochic. A técnica é mista, predominando o traço a pincel e tinta-da-china. O dijei vem de vinil, o pessoal in da house sente uma impressão digital. Mais uma cerveja. Há um frenesim no ar. Toda a gente vai a algum lado. Ela sorria para mim. Não tenho bem a certeza que era para mim, nem sequer tenho a certeza de que ela sorria. Nem que a vi. Um trompete rasga a noite e os responsáveis prometem arranjá-la dentro de uma semana. O músico cruza a rua com uma garrafa de absinto na mão. Um grupo sai, outro entra, pela porta entreaberta da casa de phado ouve-se a Amália, já velhinha, a cantar variações. Os camiões do lixo passam estridentes, a banda sonora é agora desumana e maquinal. As mulheres-da-vida esperam clientes, e assim estão os gajos dos estupefacientes. Do caixodré subo para o bairro. Do estádio vou para as primas. É fim-de-semana e o bairro está a bombar. As suecas e alguns espanhóis, comem caracóis. Um grupo passa barulhento. Vai mais um pombo que os passarinhos não estão a ver. O phado jorra de uma janela. É típico e dois estrangeiros tiram-lhe fotografias. Será que a não-sei-quantos está cá hoje? Entro e logo a vejo. Toda a gente bebe álcool e por entre o barulho dos matraquilhos ouve-se a madona a cantar como uma virgem. Alguém fala contigo e tu sabes que o conheces mas não te lembras nem do nome nem donde. Lembras-te que vieste com alguém só não sabes quem. Vou-me embora daqui, passando por ti. Não sinto o chão e no entanto és tu que estás a flutuar. Quando entro no wc tudo roda e antes do piso vir ter com a minha cara, ouço acidjazz e alguém a perguntar o que é que eu faço aqui. O _ passeia-se por entre os bêbados e os queimados no chão da casa de banho, impressos em vinil e com laminação anti-uv. Lá fora o ar fresco sabe bem, a lua está cheia. Não sei do quê. Moon over vodka trip hop- alguém grita do meio da rua. Os grafiteres acabam os seus trabalhos, retocando aqui e ali, outros só assinam os edifícios, como se fossem arquitectos.O yin e o yang estão estranhamente de acordo em tudo. São 4 da noite e apesar de estarem a um passo de um coma alcoólico a coca mantém-nos quase em pé. Comportamentos de risco, dirão uns, estranha forma de vida dirão outros, uma bezana-do-camandro diriam os 2 irmãos. Lady day canta ao longe, num qualquer bar manhoso e bafiento. Entro, cheira a cerveja mole e azeda. Parece a minha casa. É a minha casa! E surpreendentemente, a noite acaba mal o dia começa.
Miguel Dominguez Cuña,
LX Junho de 2009
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Ficha técnica
Formato: 1.20x1.00 m
Técnica: pequeno formato- tinta-da-china+colagens, em papel
grande formato- impressão em vinil com tintas de alta duração
e laminado anti-ultravioletas. Moldura +vidro
Tiragem de um exemplar, ou seja, exemplares únicos.
O autor reserva o direito de usar as imagens como trabalhos de ilustração
e-mail: migueldominguez65@yahoo.es
*LXBAINAITE* MIGUEL DOMINGEZ CUNHA - 03 JUL - 30 JUL é um trabalho de 2001. Esteve exposto na Galeria Sta. Clara em Coimbra e agora estão aqui na Trem Azul, em Lisboa, no meio de discos e música e entre o Cais do Sodré e o Bairro Alto. Estão em casa portanto. No sítio certo para serem vistos. Miguel Dominguez Cuña
LX Bainaite
uma tentativa de memória descritiva
O ar zumbe, eléctrico. Toca o telemóvel - Tás onde? Vem cá ter… okai, mais logo então. Um tecnophado ecoa nos altifalantes do princípe real. as marchinhas dos santos-populares (populaire saints) tocam sambaphanque, o novo som dos bairros. Nas discotecas de neons-anos-80 ouve-se discochic. A técnica é mista, predominando o traço a pincel e tinta-da-china. O dijei vem de vinil, o pessoal in da house sente uma impressão digital. Mais uma cerveja. Há um frenesim no ar. Toda a gente vai a algum lado. Ela sorria para mim. Não tenho bem a certeza que era para mim, nem sequer tenho a certeza de que ela sorria. Nem que a vi. Um trompete rasga a noite e os responsáveis prometem arranjá-la dentro de uma semana. O músico cruza a rua com uma garrafa de absinto na mão. Um grupo sai, outro entra, pela porta entreaberta da casa de phado ouve-se a Amália, já velhinha, a cantar variações. Os camiões do lixo passam estridentes, a banda sonora é agora desumana e maquinal. As mulheres-da-vida esperam clientes, e assim estão os gajos dos estupefacientes. Do caixodré subo para o bairro. Do estádio vou para as primas. É fim-de-semana e o bairro está a bombar. As suecas e alguns espanhóis, comem caracóis. Um grupo passa barulhento. Vai mais um pombo que os passarinhos não estão a ver. O phado jorra de uma janela. É típico e dois estrangeiros tiram-lhe fotografias. Será que a não-sei-quantos está cá hoje? Entro e logo a vejo. Toda a gente bebe álcool e por entre o barulho dos matraquilhos ouve-se a madona a cantar como uma virgem. Alguém fala contigo e tu sabes que o conheces mas não te lembras nem do nome nem donde. Lembras-te que vieste com alguém só não sabes quem. Vou-me embora daqui, passando por ti. Não sinto o chão e no entanto és tu que estás a flutuar. Quando entro no wc tudo roda e antes do piso vir ter com a minha cara, ouço acidjazz e alguém a perguntar o que é que eu faço aqui. O _ passeia-se por entre os bêbados e os queimados no chão da casa de banho, impressos em vinil e com laminação anti-uv. Lá fora o ar fresco sabe bem, a lua está cheia. Não sei do quê. Moon over vodka trip hop- alguém grita do meio da rua. Os grafiteres acabam os seus trabalhos, retocando aqui e ali, outros só assinam os edifícios, como se fossem arquitectos.O yin e o yang estão estranhamente de acordo em tudo. São 4 da noite e apesar de estarem a um passo de um coma alcoólico a coca mantém-nos quase em pé. Comportamentos de risco, dirão uns, estranha forma de vida dirão outros, uma bezana-do-camandro diriam os 2 irmãos. Lady day canta ao longe, num qualquer bar manhoso e bafiento. Entro, cheira a cerveja mole e azeda. Parece a minha casa. É a minha casa! E surpreendentemente, a noite acaba mal o dia começa.
Miguel Dominguez Cuña,
LX Junho de 2009
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Ficha técnica
Formato: 1.20x1.00 m
Técnica: pequeno formato- tinta-da-china+colagens, em papel
grande formato- impressão em vinil com tintas de alta duração
e laminado anti-ultravioletas. Moldura +vidro
Tiragem de um exemplar, ou seja, exemplares únicos.
O autor reserva o direito de usar as imagens como trabalhos de ilustração
e-mail: migueldominguez65@yahoo.es
